assumo: sou frágil
choro quando me magoam
mais ainda quando sei que me magoam de propósito
rio muitas vezes
mesmo quando o que me apetece é chorar ainda mais
gosto de me sentir segura
embora pregue o desapego de tudo e de todos
gosto de calor humano
gosto de carinho e de ternura
gosto de olhares ternos e doces
gosto de silêncios
principalmente quando há muito para dizer
para contar e partilhar
gosto de parar o mundo de vez em quando
normalmente quando me sinto aflita e pressionada
e gosto de ilusões
preciso de ilusões
talvez porque tenha medo de desaparecer
sou frágil
porque me dou inteiro quando gosto
porque dou quase tudo e nem noto
sou frágil
porque não sei dizer não
(devia mesmo aprender a dizer não)
porque o meu sim é verdadeiro
e por isso espero que o dos outros
também seja
mas nem sempre é
e sou frágil
porque não aprendo
porque não copio os outros e mantenho-me igual
verdadeira e imperfeita
sou frágil
porque tenho medo de ficar sozinha
de não ter ninguém que me ouça e compreenda
realmente compreenda
não que ature ou tolere
mas que aceite e acompanhe
que viva a ilusão comigo
nem que por um segundo
prefiro isso a uma vida inteira de estabilidade
sou frágil
porque me assusta muita coisa
principalmente a rotina
a continuidade
não quero ser mais um
quero ser alguém
nem que seja para alguém
ser importante e mudar o que me rodeia
mesmo que ninguém saiba ou aceite
sou frágil
porque sim
não sei ser de outra forma
e já tentei, juro
mas não consegui
não gostei
prefiro ser frágil mas sincera
falível mas honesta
prefiro ser EU.
segunda-feira, 31 de março de 2008
Sou frágil
sexta-feira, 28 de março de 2008
Encontros e despedidas
passamos grande parte da vida
idealizando encontros.
ainda que a distância exista
que o espaço persista
ainda que as horas devorem planos
e a lei de Newton exagere os anos
ainda assim, o encontro será inevitável
porque ideal é a alma, imune ao tempo.
por isso, não desistir do encontro
é vencer o tempo
ofertando-lhe flores embrulhadas num calendário.
sim, a idéia é perfeita
não é idéia a ampulheta
ideal sim é a vida
mas não essa que é contida
pois enquanto idealizamos encontros
ela materializa despedidas.
quinta-feira, 27 de março de 2008
Navegar
Por vezes as ondas fazem ranger as velhas tábuas de madeira gasta e esbatida e tudo adquire um tom fantasmagórico.
Não sei o que me fez partir nesta viagem, não sei se algo me empurrou, se tropecei no destino ou se estava no porto e simplesmente embarquei…
À noite experimento miragens ou alucinações que sempre me vão levando para longe daqui, que vão moldando o horizonte que a luz do dia mostra sempre igual.
Deixo-me levar pelo balanço e rumo em direcção a terras prometidas.
Sinto ventos de sorte sobre velas inventadas…e sigo…sem terra à vista nem porto de abrigo…
O assassinato do português
Vuxê axa q ta certu ixcreve axim? imagina na aula di portuguex a fezora ixcreve tudo axim? naum seria orrivel?
Você entendeu o que eu escrevi? É esse o tal do “internetês”, uma língua já difundida na internet e que está fuden** com a língua portuguesa. Quantas vezes você já não viu alguém esse idioma tão estranho? Muita gente acha bonito escrever em internetês, o que só piora o uso do português. Uma pessoa que escreve português precariamente utilizar esse recurso dizendo que a internet é um lugar livre que se pode escrever de qualquer modo e maneira. O internetês começou a ser utilizado fortemente depois da propagação do MSN e do bate-papo. Na época eram apenas “vc” e “tc”. Depois chegou o “ñ”, que foi substituído pelo “naum”.
Tudo bem que essa linguagem é prática, porém quando a palavra é trocada por algo menor. Se você escrever a seguinte frase: “Eu iscrevu im internetex”, você não diminuirá as letras usando “Eu escrevo em internetês”. As letras só mudam. Será que é muito difícil escrever certo?
segunda-feira, 24 de março de 2008
Queria tanto voar
É mais uma noite em que me apetece voar como uma ave migratória para bem longe daqui.
Há momentos que sinto uma forte vontade de ir ao encontro do desconhecido, abraçando a solidão, minha fiel companheira. Com ela, ao contrário que possa parecer nunca me senti só, afinal éramos dois, eu e ela.
Quero ir de encontro aos meus sonhos, quero ser feliz como qualquer ser humano deseja e, aqui onde me encontro, sinto-me muito cansada, triste e vazia, sendo essas as razões em que invoco todas as noites, nas minhas conversas com o meu amigo íntimo, revelando-lhe que desejo adormecer e acordar deste pesadelo.
Esta não foi a vida que escolhi viver, quero uma vida muito mais simples, onde as pessoas que me rodeiam não me desiludam.
Quero uma vida sem sofrimento, uma vida em que no final de cada dia reflita sobre o mesmo e chegue à conclusão que valeu a pena... contrariando o que está acontecendo.
Quero ter o meu espaço, que ninguém o invada e saiba respeitar a minha decisão, quero rir das minhas próprias trapalhadas, olhar para a lua e não sentir saudade daquele alguém que não chegará a vir ao meu encontro...
Todas as vidas são iguais, todas as pessoas pensam de igual forma. Todos (os que têm objetivos) querem estudar para ser alguém, trabalhar, ter muito dinheiro, casar e viver ao lado daquela pessoa, para sempre. Se perguntarmos o porquê, simplesmente respondem que a vida, é assim mesmo.
A vida para mim não é isto! Quero estudar diariamente porque quero aprender até ao meu último dia de vida. Não quero trabalhar à espera que chegue o final do mês para receber o salário simplesmente porque o meu valor pessoal e profissional não tem preço.
Quando casar, a pessoa que quero a meu lado, terá de compreender o meu silêncio e saber interpretar através do mesmo, tudo o que lhe quero dizer na simplicidade de um mero olhar...
Essa mesma pessoa, de olhos vendados, terá de saber reconhecer-me no meio da multidão, assim como, com o passar dos anos e à medida que o meu corpo se vai desfigurando, saiba reconhecer que foi através dele que eu o amei incondicionalmente e, nele se encontra um espírito eternamente jovem, capaz ainda de reconhecer todos os seus afetos.
É este amor que quero ter. Tudo o resto se torna secundário... mas vou tentar viver antes que seja demasiado tarde!
É preciso viver mais e melhor, tudo isso está ao seu alcance. Acreditem!
É com esta convicção que hoje escrevo, uma vez mais, que desejo voar e, se for caso disso, abraçar a morte num abraço apertado passando desde logo a sentir que a minha vida se encontra completa.
Deixei a minha marca nesta vida, como deixo as marcas de sangue nesta folha branca, selando tudo aquilo que escrevi... o meu mais profundo desejo.
Cada lágrima que vai caindo dos meus olhos, revela o sofrimento em continuar preso a uma vida que nunca desejei... Chegou a altura de viver realmente!
Peço-lhes por isso, que me deixem livre para que assim possa voar bem alto, sem destino nem pouso, apenas com a sensação de liberdade e a pretensão de ser feliz.
Quando decidir não mais bater as minhas asas, sentirei o doce sabor da vitória e que um dia tive a coragem de enfrentar os céus e ventos por onde cruzei e venci.
Mas para que tudo seja verdade, por favor deixem-me seguir viagem…
Porque agora sou assim...
Mais um dia que nasceu, acordo...
Fico na cama mais uns minutos, o corpo quer mais uns mimos e a alma mais uns minutos de descanso. Mais um dia em que vou ter de viver no meio de gente que detesto, que me amargura e que me apetece desprezar pelo simples fato de serem uns clones sociais.
O meu espírito, substituído por um buraco negro, é para onde atiro o que não me interessa, sejam pessoas, fatos ou situações. A minha beleza é privada, não pública. Só a partilho com quem entendo.
Socialmente sou apenas mais uma peça do xadrez, mais um peão que todos empurram satisfeitos mas enganados, porque estão simplesmente a pontapear a vida deles.
Seres sem sentimentos, cegos por falsas promessas, julgam viver, mas nada mais fazem do que andar no frio corredor em que foram colocados pela sua soberba e prepotência, uma estrada que nada mais é do que a solidão fria da morte em vida!
E eu vou caminhando, guardo a minha luz para iluminar os que merecem e, de resto, ando por esta vida alimentada das almas dos impuros, que vou sugando sem piedade.
Transformo maldade em beleza e assim alimento a minha alma. Deixo espalhados no meu caminho os restos mortais desses tristes seres que me serviram de alimento e partilho com quem amo a riqueza de ser, pela vontade de querer amar e ser amado.
Não sofro nem tenho pena de os ver definhar na sua triste sorte de não saberem partilhar. Ao que eles chamam amar, digo eu que nada mais é do que gastar a vida, tão curta e tão rápida, que quando nascem já caminham velozes para o fim.
O cheiro a morte é o perfume que exalam, corpos revestidos de protocolos e vestes sociais que não conseguem esconder as feridas que sangram. Essas que eles plantaram na vida pela falta de coragem, pela ganância, pela luxúria a que chamam desejo ou amor, comprada e sem valor.
Um dia vão acordar e já nem dor vão sentir, sim um simples ardor da luz do sol social, que nada mais vai fazer do que terminar o seu trabalho, transformar os seus restos em alimento para os eleitos, seres perfeitos que habitam em quem consegue descobrir o segredo da vida.
Encontrar esse segredo é simples, basta amar e partilhar alegrias e tristezas. É a simples fusão de duas almas no universo da beleza de viver com o amor agitando o coração numa batida de vida.
É simplesmente ser o que somos, sem medo. É uma entrega incondicional ao acreditar que amar é a única estrada que nos leva ao nosso destino, a VIDA, onde todos os cansaços se transformam em alegrias porque são partilhados e vividos com uma força única que vem desse sentimento.