segunda-feira, 31 de março de 2008

Sou frágil

assumo: sou frágil
choro quando me magoam
mais ainda quando sei que me magoam de propósito
rio muitas vezes
mesmo quando o que me apetece é chorar ainda mais
gosto de me sentir segura
embora pregue o desapego de tudo e de todos
gosto de calor humano
gosto de carinho e de ternura
gosto de olhares ternos e doces
gosto de silêncios
principalmente quando há muito para dizer
para contar e partilhar
gosto de parar o mundo de vez em quando
normalmente quando me sinto aflita e pressionada
e gosto de ilusões
preciso de ilusões
talvez porque tenha medo de desaparecer

sou frágil
porque me dou inteiro quando gosto
porque dou quase tudo e nem noto
sou frágil
porque não sei dizer não
(devia mesmo aprender a dizer não)
porque o meu sim é verdadeiro
e por isso espero que o dos outros
também seja
mas nem sempre é
e sou frágil
porque não aprendo
porque não copio os outros e mantenho-me igual
verdadeira e imperfeita

sou frágil
porque tenho medo de ficar sozinha
de não ter ninguém que me ouça e compreenda
realmente compreenda
não que ature ou tolere
mas que aceite e acompanhe
que viva a ilusão comigo
nem que por um segundo
prefiro isso a uma vida inteira de estabilidade

sou frágil
porque me assusta muita coisa
principalmente a rotina
a continuidade
não quero ser mais um
quero ser alguém
nem que seja para alguém
ser importante e mudar o que me rodeia
mesmo que ninguém saiba ou aceite

sou frágil
porque sim
não sei ser de outra forma
e já tentei, juro
mas não consegui
não gostei
prefiro ser frágil mas sincera
falível mas honesta
prefiro ser EU.

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